
Foto: Daniel Dan/Pexels
O veto às apostas online, anunciado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de setembro, pode liberar até R$40 bilhões por ano no orçamento das famílias brasileiras. O cálculo considera a receita bruta movimentada em um ano pelas empresas de apostas que estavam autorizadas a operar no país, valor que, até então, era perdido pelos apostadores.
Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda mostram que o mercado regulado encerrou o primeiro semestre de 2026 com R$20,2 bilhões em GGR (Gross Gaming Revenue), indicador que representa a receita bruta do setor. Naquele período, havia 84 operadores autorizados e 196 marcas comerciais ativas.
Com a anualização do resultado, o montante chega a R$40,4 bilhões. A perda líquida das famílias com apostas era equivalente a aproximadamente R$110 milhões por dia, ou R$ 770 milhões por semana.
A movimentação das casas de apostas, estimada em cerca de R$ 600 milhões por dia, foi interrompida após a entrada em vigor da medida provisória que proibiu a operação das bets no Brasil.
O governo também identificou uma redução no volume de transações via Pix. Na última sexta-feira (2), o chefe da equipe econômica afirmou que o Banco Central e as instituições financeiras já haviam percebido a queda e sinais de migração do dinheiro para outros setores.
“Teve, sim, uma redução do Pix, identificada pelo Banco Central, identificada pelos bancos, a gente segue estudando para entender qual é a movimentação, mas o indício que a gente tem hoje é que o dinheiro está indo para outros setores da economia já com redução do Pix para as bets”, afirmou.
Os sites e aplicativos de apostas ficaram indisponíveis a partir desta terça-feira (6). As plataformas haviam sido tornadas ilegais pela medida provisória publicada em 25 de setembro, nove dias antes do primeiro turno das eleições.
Na Justiça, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) acionaram o Supremo Tribunal Federal contra a medida. As entidades argumentam que a decisão foi abrupta e provocou prejuízos bilionários para empresas que haviam aderido ao modelo de regulação vigente no país.
O ministro Luiz Fux pediu informações ao governo Lula sobre o veto, com prazo de 72 horas. Em resposta, a Advocacia-Geral da União solicitou ao Supremo a manutenção dos efeitos da medida provisória que proibiu as apostas esportivas e os cassinos online no Brasil, citando R$ 7 bilhões movimentados por facções criminosas em plataformas clandestinas

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