O policial militar aposentado de 103 anos foi condenado nesta quinta-feira, 24, pela morte de Welton Lopes Costa, baleado durante uma discussão no Largo Dois de Julho, no Centro de Salvador. O crime ocorreu em agosto de 2021, quando o réu, Emiliano Melo dos Santos, tinha 98 anos.
A pena estabelecida foi de 4 anos e 10 meses de prisão, em regime semiaberto, com cumprimento em prisão domiciliar.
Emiliano foi denunciado por homicídio com recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima e por lesão culposa. Além de Welton, a companheira dele também foi atingida pelos disparos, mas sobreviveu.
Julgamento
O julgamento aconteceu no Fórum Ruy Barbosa, no bairro de Nazaré, e foi presidido pelo juiz Vilebaldo José de Freitas Pereira. Embora o júri popular tenha sido determinado pela Justiça em 2023, a sessão ocorreu apenas nesta quinta.
Oito testemunhas prestaram depoimento durante o julgamento, sendo cinco apresentadas pela defesa e três pela acusação. Emiliano também foi interrogado antes dos debates entre as partes.
A defesa sustentou a tese de legítima defesa, mas o argumento foi rejeitado durante o julgamento.
Relembre o crime
Welton Lopes Costa foi morto no dia 22 de agosto de 2021, após ir buscar a companheira em uma padaria na região do Largo Dois de Julho.
Na época, Welbert, irmão da vítima, contou que Welton aguardava a mulher para um compromisso e decidiu procurá-la depois que ela demorou a chegar ao carro.
Parte da situação foi registrada por um morador. O vídeo mostra Welton ao lado da companheira durante uma discussão com Emiliano.
Em determinado momento, Welton aparece caminhando de costas para o policial aposentado. Os envolvidos saem do alcance da câmera e, segundos depois, é possível ouvir os disparos. Outro trecho do registro mostra um dos irmãos de Welton questionando o idoso após os tiros.
Emiliano foi contido por moradores até a chegada da polícia. Ele acabou conduzido ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde prestou depoimento e alegou ter agido em legítima defesa. Na ocasião, foi liberado e, posteriormente, passou a cumprir prisão domiciliar.
No dia seguinte ao homicídio, o prédio onde o policial aposentado vivia foi alvo de vandalismo. O imóvel recebeu pichações com ameaças contra ele.

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