Em um intervalo de um mês, cerca de 500 peixes-leão foram retirados do mar por pescadores de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia. Essa é uma espécie considerada invasora, perigosa e ameaça o equilíbrio ecológico dos oceanos.
Identificado na Bahia em 2025, em Maraú, no baixo sul do estado, o peixe-leão é originário do oceano Indo-Pacífico. Ele cresce rapidamente, se reproduz muitas vezes ao ano e consegue gerar milhares de ovos e larvas durante os processos reprodutivos.
Além disso, a espécie causa desequilíbrio porque se alimenta desenfreadamente e não é reconhecida como presa pelos potenciais predadores, já que não é uma espécie nativa.
Os peixes-leão também são considerados perigosos para humanos. Na fase adulta, ele pode ter 18 espinhos venenosos e o contato pode causar dores, náuseas e até convulsões.
Ação conjunta
A retirada dos peixes em Porto Seguro resultou de uma ação conjunta entre a Colônia de Pescadores e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (Semac). Os pescadores entregam os exemplares capturados à Colônia e recebem R$ 10 por unidade.
Depois, os exemplares foram encaminhados à Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), onde serão contados, pesados e medidos.
As pesquisas têm como objetivo investigar alimentação, tamanho, genética, origem e comportamento, além de apoiar estudos sobre o beneficiamento do pescado e sua possível inserção em uma cadeia produtiva.
O incentivo a pesca será mantido por mais um mês, de acordo com a prefeitura.

Espécies invasoras
Além de Porto Seguro, na Baía de Todos-os-Santos, na região de Salvador, 36 espécies exóticas invasoras também já foram identificadas por pesquisadores do Programa Ecológico de Longa Duração dos Ecossistemas Marinhos da BTS.
Os especialistas disseram que ainda não é possível mensurar os impactos causados por algumas espécies já estabelecidas no mar e que, a essas, cabe apenas o controle.
Outras, como coral-sol, coral-mole, siri-bidu e peixe-leão, são as que mais afetam os ecossistemas locais e têm impactos mais claros. Elas também colocam em risco a pesca artesanal, parte importante da economia, sobretudo para a subsistência de pescadores e marisqueiras.
O diretor de políticas e planejamento ambiental da Sema, Tiago Porto, explicou que a introdução de espécies invasoras exóticas na Baía ocorre principalmente de forma acidental, das seguintes maneiras:
- Transporte por navios: a maioria dessas espécies chegou à Baía por meio de embarcações que trafegam pela região.
- Fixação nos cascos: elas viajam presas aos cascos dos navios, facilitando sua dispersão para novos ambientes.
- Plataformas de petróleo: algumas espécies também são transportadas em estruturas como plataformas marítimas.
- Correntes marinhas: no caso específico do peixe-leão, a dispersão ocorre pelas correntes oceânicas.

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