Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados | Divulgação/SBT
A deputada Erika Hilton (PSOL) ganhou uma ação contra o apresentador Ratinho, após falas consideradas transfóbicas do apresentador. Com isso, a Justiça determinou que o SBT exiba um vídeo de direito de resposta da parlamentar durante o programa.
Em março, Ratinho questionou o fato de Hilton ter sido eleita para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.
"Tem tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Para ser mulher, tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias, eu sou contra", disse o apresentador, na ocasião.
A resposta da deputada, conforme a determinação, deve ter a mesma duração e destaque das declarações feitas por Ratinho, no mesmo horário e programa. A decisão considera que as falas foram além de somente críticas políticas.
O SBT terá dez dias para cumprir a determinação, sob pena de multa diária de R$ 50 mil. Na decisão, o juiz André Della Latta Cartaxo afirma que é coerente questionar a ação de agentes públicos, mas que Ratinho foi além da liberdade de expressão, negando a identidade de Erika e associando o gênero somente a critérios biológicos.
"O discurso do apresentador não se conteve nos contornos da crítica ao ato de nomeação e avançou para o terreno da negação reiterada da própria identidade da autora", diz o texto.
Em post nas redes sociais, a parlamentar comemorou a decisão.
"É absurdo que, em 2026, um apresentador, ao invés de exercer o seu direito de tecer uma crítica política, vocifere transfobia e preconceito em um ataque direcionado contra mim em plena TV aberta. Mas Ratinho escolheu dizer o que disse. Entre tantas discordâncias que ele poderia manifestar sobre minha presidência na Comissão das Mulheres, ele decidiu “discordar” do meu direito de ser quem eu sou. De existir enquanto mulher trans", escreveu.

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