Jaqueta deixada sobre caixão de Dinho, do Mamonas Assassinas, é encontrada intacta 30 anos depois; entenda como isso é possível - Fala Alagoinhas News | Portal de Alagoinhas e Região

Jaqueta deixada sobre caixão de Dinho, do Mamonas Assassinas, é encontrada intacta 30 anos depois; entenda como isso é possível


 Foto: Arquivo Pessoal


Trinta anos depois, a jaqueta deixada sobre o caixão de Dinho, vocalista da banda Mamonas Assassinas, foi encontrada desbotada, porém intacta, durante a exumação do corpo. A foto da jaqueta foi obtida com exclusividade pelo g1 e pela TV Globo.

Mas como uma peça de roupa consegue atravessar três décadas praticamente sem se deteriorar?

Segundo a família, no dia do enterro, em meio às homenagens, foi colocada sobre o caixão uma jaqueta do mesmo modelo que era muito usado pela equipe técnica da banda, com o emblema do Mamonas Assassinas nas costas. A banda morreu em março de 1996 em um acidente aéreo.

Agora, os corpos estão sendo exumados para que parte das cinzas seja utilizada como adubo no Jardim BioParque Memorial, em São Paulo. Nesta segunda-feira (23), ao abrirem a área onde estava enterrado o cantor Dinho, a jaqueta foi encontrada intacta.

De acordo com a família, a peça deixada sobre o caixão era uma das usadas pela equipe de staff da banda, como essa que foi flagrada no local do acidente pela equipe de reportagem da TV Globo (veja foto abaixo).

Imagem de jaqueta encontrada no local do acidente — Foto: Reprodução TV Globo
Imagem de jaqueta encontrada no local do acidente — Foto: Reprodução TV Globo

O achado levou a várias especulações nas redes sociais, mas a explicação está no material e não tem nada de sobrenatural. A roupa era feita de nylon, um tipo de plástico que pode levar até 200 anos para se decompor.

➡️ O nylon é uma fibra sintética derivada do petróleo. Diferentemente de tecidos naturais, como algodão ou lã, que são biodegradáveis e se decompõem mais rápido, o nylon é um tipo de plástico. E, como a maioria dos plásticos, é um material estável, que dura longos anos sem se decompor, mesmo em condições adversas de armazenamento.


Mamonas Assassinas — Foto: Reprodução/Instagram Mamonas Assassinas


Segundo Fabrício Stocker, professor da FGV que pesquisa a cadeia produtiva da moda, o material é um dos mais comuns na indústria e demora muito tempo para se decompor.

“É um material de duração praticamente eterna. Esse tipo de roupa, em condições naturais no meio ambiente, pode chegar a 200 anos intacta. Considerando que ela estava enterrada, esse tempo pode ser ainda maior”, explica.

Morte dos Mamonas Assassinas completa 25 anos

Roupas podem durar centenas de anos

Essa resistência tem um efeito colateral conhecido: o impacto ambiental. A peça foi feita nos anos 90, mas ainda hoje o nylon e o poliéster são algumas das fibras mais comuns na produção de roupas — e são plástico.

Apesar de uma peça de roupa não ser feita para ser usada para sempre, já que as tendências de moda mudam, ela pode durar no mundo muito mais tempo do que a vida de quem a adquiriu.

➡️ Em condições naturais, no meio ambiente, uma peça de nylon pode levar mais de 200 anos para se degradar, dependendo de fatores como exposição ao sol, umidade, oxigênio e ação de microrganismos.

No caso da jaqueta, as condições eram ainda mais favoráveis à preservação. Enterrada, sem exposição à luz solar direta e em um ambiente relativamente isolado, a peça ficou protegida dos principais fatores que aceleram a degradação. “Trinta anos, nesse contexto, é pouco tempo”, afirma Stocker.

Em aterros sanitários, por exemplo, a degradação pode ocorrer de forma diferente — seja pela compactação, seja pela ação química do ambiente. Ainda assim, mesmo nesses casos, materiais como nylon e poliéster persistem por décadas ou séculos.




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pages