Um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveu um novo produto obtido da combinação entre mel de abelhas nativas e cascas de amêndoa de cacau, que pode ser consumido diretamente ou utilizado como ingrediente nas indústrias alimentícia e cosmética. O estudo, que foi capa da revista ACS Sustainable Chemistry & Engineering, apresenta uma alternativa sustentável para o aproveitamento de resíduos do cacau.

Um grupo de pesquisadores da Unicamp desenvolveu um novo produto obtido da combinação entre mel e cascas de amêndoa de cacau. | Foto: Ilustrativa/Pexels
O mel foi utilizado como solvente comestível para extrair das cascas — normalmente descartadas na produção de chocolate — compostos como teobromina e cafeína, conhecidos estimulantes com potenciais benefícios à saúde cardiovascular. O processo, baseado em extração assistida por ultrassom, também enriqueceu o mel com compostos fenólicos, que têm ação antioxidante e anti-inflamatória.
De acordo com Felipe Sanchez Bragagnolo, primeiro autor do estudo e pesquisador de pós-doutorado na Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Unicamp, o resultado é promissor tanto pelo sabor quanto pelo valor nutricional. “Claro que o apelo maior para o público é o sabor, mas nossas análises mostraram que ele tem uma quantidade de compostos bioativos que o tornam bastante interessante do ponto de vista nutricional e cosmético”, afirmou.

O processo, baseado em extração assistida por ultrassom, também enriqueceu o mel com compostos fenólicos. | Foto: Ilustrativa/Pexels
Os pesquisadores ainda planejam testar as propriedades sensoriais e o sabor do produto — que, dependendo da proporção entre mel e cascas, apresenta gosto semelhante ao do chocolate.
Inovação sustentável
O projeto foi desenvolvido em parceria com a Inova Unicamp, agência de inovação da universidade, e já teve patente depositada. Os autores buscam parceiros interessados em licenciar o processo e viabilizar sua aplicação comercial.
Foram testados méis de cinco espécies de abelhas nativas brasileiras — borá, jataí, mandaçaia, mandaguari e moça-branca. O mel da mandaguari foi o primeiro a ser utilizado por ter níveis intermediários de água e viscosidade, características ideais para a técnica.

Os pesquisadores ainda planejam testar as propriedades sensoriais e o sabor do produto. | Foto: Ilustrativa/Pexels
Segundo os pesquisadores, o método pode ser adaptado a diferentes tipos de mel, considerando variações climáticas e regionais.
Tecnologia e química verde
A extração assistida por ultrassom utiliza ondas sonoras para romper as paredes celulares do material vegetal, facilitando a liberação de compostos bioativos. O processo é considerado ambientalmente amigável, pois reduz o tempo e o uso de solventes químicos.
A equipe avaliou a sustentabilidade do método por meio do software Path2Green, que analisa conformidade com os 12 princípios da química verde. O produto alcançou índice positivo (+0,118), destacando-se pelo uso de solventes naturais e locais.

Foram testados méis de cinco espécies de abelhas nativas brasileiras. | Foto: Ilustrativa/Pexels
“Acreditamos que, com um equipamento desses, cooperativas ou pequenas indústrias que já trabalham com cacau e mel de abelhas nativas possam criar produtos de alto valor agregado, inclusive para a gastronomia, sugere Mauricio Ariel Rostagno, professor da Unicamp e coordenador do estudo.
Os pesquisadores agora avaliam o impacto do ultrassom sobre a microbiologia do mel, o que pode aumentar sua estabilidade e tempo de prateleira. No futuro, pretendem aplicar a técnica à extração de compostos de outros resíduos vegetais, ampliando as possibilidades da tecnologia.
Outra pesquisa
Pessoas com diabetes ou pré-diabetes devem estar atentas não apenas ao teor de açúcar dos alimentos, mas também ao contexto nutricional em que esse açúcar está inserido. É o que indica um estudo publicado em agosto na revista científica Foods, que analisou os efeitos do consumo diário de manga em adultos com pré-diabetes.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade George Mason, nos Estados Unidos. No experimento, os participantes foram divididos em dois grupos: um consumiu diariamente uma manga fresca (32 gramas de açúcar) e o outro uma barra de granola com baixo teor de açúcar (11 gramas). Durante seis meses, os pesquisadores monitoraram a concentração de glicose no sangue, a resposta do organismo à insulina e a quantidade de gordura corporal.
Os resultados mostraram que, mesmo contendo mais açúcar, a manga foi mais benéfica que a barra de granola. Os voluntários que consumiram a fruta apresentaram melhor controle da glicose, maior sensibilidade à insulina e redução da gordura corporal.
Em março deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a primeira insulina semanal do mundo, a Awiqli, para o tratamento de pacientes adultos com diabetes tipo 1 e tipo 2 no Brasil.
Em relação à doença, aliás, quase metade (44%) das pessoas com mais de 15 anos vivendo com diabetes não havia recebido diagnóstico em 2023, segundo estudo publicado na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology. A pesquisa contou com a participação de um pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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