Alagoinhas atravessa um momento em que pautas estratégicas poderiam guiar o debate político: a geração de emprego, a qualificação profissional da juventude, a expansão do distrito industrial e a melhoria da educação pública. Temas capazes de transformar a realidade social e econômica da cidade. No entanto, enquanto tais discussões carecem de maior protagonismo, a Câmara Municipal se vê envolvida em um debate que gera polêmica: a proposta do vereador Gleyser Soares (PV) para a criação, com recursos públicos, de um espaço destinado à prática do chamado “grau”.
O “grau”, manobra realizada com motocicletas em apenas uma roda, é considerado infração gravíssima pelo Código de Trânsito Brasileiro, passível de multa, suspensão da habilitação e apreensão do veículo. Ainda assim, o parlamentar tenta colocar na agenda pública a criação de uma estrutura oficial para a prática, em detrimento de demandas antigas da população, como a reforma do Centro Social Urbano (CSU), equipamento que poderia beneficiar milhares de pessoas com atividades esportivas, culturais e educacionais.
A iniciativa levanta questionamentos éticos, jurídicos e de gestão. De um lado, a defesa de oferecer um espaço “seguro” para jovens que já praticam a atividade nas ruas. De outro, a responsabilidade de um vereador que, em vez de fortalecer políticas públicas amplas e inclusivas, direciona esforços para institucionalizar uma prática considerada ilegal pela legislação federal.
A comparação com outras modalidades é inevitável. Esportes de risco, como motocross, paraquedismo e tiro esportivo, contam com infraestrutura organizada pelo setor privado, sem onerar diretamente os cofres públicos. O modelo mostra que, caso haja demanda para o “grau”, parcerias privadas ou iniciativas comunitárias seriam caminhos mais adequados do que a destinação de verbas municipais.
Ao insistir nesse projeto, o vereador coloca em xeque não apenas a hierarquia das prioridades do município, mas também o papel da Câmara como espaço de construção de políticas que tragam impacto coletivo. Em tempos de alta demanda por emprego, qualificação e inclusão social, a inversão de pauta soa, no mínimo, como um descompasso em relação ao que a sociedade espera de seus representantes.
A política exige escolhas. E escolhas revelam compromissos. Alagoinhas precisa de lideranças que voltem seus esforços para soluções que ampliem oportunidades, respeitem a legalidade e tragam benefícios duradouros para a coletividade. Destinar recursos públicos para estimular uma prática ilegal não é apenas equivocado é um desserviço ao presente e ao futuro da cidade.
Fonte/ Se liga Alagoinhas

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